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Asas do noitibó equilibram caça ágil e migração

Testes em túnel de vento mostram que noitibós geram impulso na subida da asa, sacrificando a sustentação em alta velocidade para caçar presas.

Relatado por Phys.org · · 2 min de leitura

Asas do noitibó equilibram caça ágil e migração
Imagem: Phys.org

O noitibó-da-europa, conhecido cientificamente como Caprimulgus europaeus, completa anualmente uma impressionante migração noturna entre o território europeu e partes do sul da África. No entanto, essas viagens são apenas parte do desafio aerodinâmico enfrentado pela espécie. Para capturar insetos em pleno ar, a ave noturna precisa desacelerar com frequência, fazer ajustes rápidos e operar a velocidades extraordinariamente reduzidas.

Uma investigação recente realizada por cientistas da Universidade de Lund, detalhada na publicação PLOS Biology, demonstra como essas necessidades operacionais conflitantes moldam as características de voo da ave. Ao colocar noitibós dentro de um túnel de testes aerodinâmicos especializado, a equipe observou como o ar se movia atrás de seus corpos em diversas velocidades de voo.

Suas medições revelaram que as pontas largas das asas auxiliam nas manobras em baixa velocidade, mas geram desvantagens aerodinâmicas à medida que o ritmo aumenta. Ao voar mais rápido, as aves geram força ascendente com menor eficiência. O professor associado Christoffer Johansson explicou que os migrantes nem sempre têm formas aerodinâmicas projetadas puramente para viagens de longa distância, observando que a estrutura das asas do noitibó reflete um compromisso evolutivo entre a agilidade na caça e o trânsito rápido.

Compensações aerodinâmicas na natureza

Os experimentos também destacaram um mecanismo de propulsão incomum, raramente registrado em espécies de aves. Ao moverem as asas para cima, os noitibós produzem ativamente uma força motriz para a frente. Johansson ressaltou que movimentos ascendentes ativos costumam ser documentados em insetos voadores e morcegos, e não em aves, nas quais esse movimento é normalmente passivo.

Os pesquisadores sugerem que esse mecanismo permite a propulsão quando as asas não podem passar por uma dobra significativa. A descoberta ilustra como adaptações aerodinâmicas idênticas podem surgir em grupos de animais amplamente divergentes que enfrentam limitações mecânicas comparáveis. Johansson observou que o aparelho de voo de um animal frequentemente equilibra diversas tarefas de sobrevivência, incluindo migração, busca por alimento e manobras precisas.

Além da compreensão biológica, os autores acreditam que essas descobertas podem orientar o projeto de sistemas mecânicos. Robôs aéreos de asas batentes frequentemente encontram restrições físicas semelhantes em relação ao dobramento das asas. Johansson concluiu que investigações futuras avaliarão o quão difundida é essa produção de força entre outras espécies, potencialmente inspirando avanços em novas aeronaves de asas batentes.