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Mamíferos selvagens

Conflito letal divide comunidade de chimpanzés em Uganda

Pesquisa de longo prazo no Parque Nacional Kibale revela como grupo recorde de símios selvagens se dividiu em facções rivais após anos de confrontos fatais.

Relatado por The Guardian · · 2 min de leitura

Conflito letal divide comunidade de chimpanzés em Uganda
Imagem: The Guardian

Um estudo de campo de trinta anos em Uganda documentou uma divisão sem precedentes em uma enorme comunidade de chimpanzés, levando a confrontos fatais entre antigos aliados. O primatologista John Mitani e seus colegas detalharam os prolongados combates internos na revista Science, descrevendo a fragmentação de um grupo que antes vivia junto sem grandes hostilidades.

Os símios habitam a região de Ngogo, dentro do Parque Nacional Kibale, uma área caracterizada pelo dossel alto da floresta tropical e frutos abundantes. Quando os pesquisadores avaliaram o local pela primeira vez em 1995, identificaram quase duzentos indivíduos cooperando em um único bando. Na época, um agrupamento tão grande era totalmente sem precedentes na pesquisa de campo com símios selvagens.

Divisão de facções e conflito Os primeiros indícios de agitação surgiram em junho de 2015, quando símios normalmente calmos começaram a fugir agitados e a perseguir uns aos outros. Ao longo dos anos seguintes, a comunidade se dividiu em duas facções opostas. O conflito resultante custou a vida de nove machos e dezenove filhotes. Apesar da mortalidade, pesquisadores de campo registraram um aumento inesperado nas taxas reprodutivas das fêmeas e maior sobrevivência entre os filhotes durante o período de turbulência.

Antes do início da violência, as investigações em Ngogo renderam percepções valiosas sobre a dinâmica social dos primatas. Os cientistas observaram taxas de mortalidade extraordinariamente baixas, expectativas de vida prolongadas e alianças colaborativas entre machos adultos sem parentesco. Caçadas compartilhadas e consumo de carne, envolvendo frequentemente macacos colobus-vermelhos, serviram como mecanismos cruciais para estabelecer laços sociais entre os machos.

Além dos dados observacionais, a contínua presença em campo tem apoiado a conservação dos símios, permitindo que as equipes localizem e desativem armadilhas de laço deixadas por caçadores locais. Mitani alertou contra o uso da guerra de facções do grupo para tirar conclusões precipitadas sobre a agressão evolutiva humana, observando que os bonobos, parentes próximos, nunca exibiram padrões semelhantes de conflitos internos violentos.