Aves
Pesquisa revela hábitos de pinguins da Nova Zelândia
Monitoramento em Fiordland revela que esquivos pinguins-de-crista nidificam sozinhos em matas densas e fazem longas viagens no oceano para se alimentar.
Relatado por The Guardian · · 2 min de leitura

Cientistas que rastreiam o pinguim-de-fiordland, conhecido localmente como tawaki, estão descobrindo detalhes até então desconhecidos sobre a ave discreta. Com cerca de meio metro de altura e distintas cristas amarelas brilhantes sobre os olhos, essas aves marinhas habitam as áreas selvagens e acidentadas do sudoeste da Nova Zelândia, onde seu comportamento incomum há muito intriga naturalistas.
Ao contrário da maioria das espécies aparentadas que se reúnem em enormes colônias costeiras, os tawaki criam seus filhotes em tocas isoladas escondidas em densas florestas tropicais, ocasionalmente empoleiradas no alto de terrenos íngremes. Pesquisadores do Projeto Tawaki, fundado em 2014 pelo Dr. Thomas Mattern e por Ursula Ellenberg, passaram anos documentando esses locais isolados de nidificação ao longo de nove fiordes distintos.
Contagens recentes indicam que a população selvagem é cerca de três vezes maior do que os registros antigos estimavam. Ao longo de doze anos, equipes de campo apoiadas por voluntários locais e operadores de barcos mapearam 1.200 ninhos. Dados aprimorados levaram a Lista Vermelha da IUCN a reclassificar a espécie de vulnerável para quase ameaçada em 2020, estimando o número de indivíduos maduros entre 12.000 e 15.000 aves.
Longas jornadas e ninhos escondidos
As aves também exibem hábitos intrigantes de busca por alimento. Enquanto alguns indivíduos capturam presas em hidrovias abrigadas, outros se aventuram em águas de mar aberto. De forma mais impressionante, após o término do período de reprodução em dezembro, as aves adultas embarcam em uma longa viagem de ida e volta que abrange entre 5.000 e 7.000 quilômetros rumo a águas subantárticas para acumular reservas de gordura antes de sua muda anual completa de penas.
Mattern sugeriu que essa migração exaustiva ocorre apesar da abundância de alimento perto de seus territórios de origem, provavelmente impulsionada por um impulso ancestral compartilhado com outros pinguins-de-crista. Como as aves perdem todas as penas de uma vez durante a muda, acumular massa corporal adequada com antecedência continua sendo crítico para sua sobrevivência.
Apesar das estimativas populacionais encorajadoras, cientistas enfatizam que riscos significativos persistem, em especial da pesca comercial que opera em regiões de alimentação. Membros do projeto continuam monitorando as taxas de sobrevivência para determinar se os números estão se mantendo estáveis e identificar quando medidas adicionais de conservação podem se tornar necessárias.


