Insetos e polinizadores
Abelhas-do-mel expulsam polinizadores silvestres de flores
Estudo britânico mostra que o aumento de colmeias leva abelhas criadas a afugentar mamangabas e sirfídeos quando o néctar escasseia com o calor.
Relatado por The Guardian · · 2 min de leitura

Abelhas-do-mel confrontam e afugentam frequentemente insetos nativos enquanto coletam néctar e pólen, segundo cientistas da Universidade Anglia Ruskin. A investigação de dois anos em Cambridgeshire revelou que locais com populações densas de abelhas-do-mel abrigavam visivelmente menos visitantes silvestres, incluindo sirfídeos, abelhas solitárias e mamangabas.
A popularidade da apicultura amadora expandiu-se de forma dramática por todo o Reino Unido após campanhas públicas que pediam a proteção das abelhas. Dados da National Bee Unit indicam que os apicultores registrados aumentaram de 19.000 em 2010 para 47.000 até 2025. No entanto, esse aumento expressivo gerou preocupações ecológicas sobre a transmissão de patógenos e a escassez de alimento para espécies nativas, sobretudo em ambientes com poucas flores.
Pesquisadores monitoraram 300 encontros de alimentação em flores de silva e hera perto de apiários para observar como vários grupos interagiam. Em ambas as variedades de plantas, as abelhas-do-mel saíram vitoriosas na maioria dos confrontos. Outros insetos as evitaram ativamente durante cerca de 28 por cento dos encontros na silva e mais de 35 por cento na hera. Ao disputar recursos florais, as abelhas-do-mel empurravam regularmente os concorrentes das pétalas ou os perseguiam para longe.
A pesquisadora principal, Victoria Buckle, explicou que as abelhas-do-mel exibem competição por interferência ao agredir abertamente outras espécies. Enquanto as mamangabas ocasionalmente derrubam vizinhos devido a padrões de voo desajeitados em meio à folhagem densa, as abelhas-do-mel agem de maneira intencional. Buckle observou que esse instinto combativo provavelmente decorre das estruturas sociais da colmeia, onde castas especializadas de guardiãs protegem as crias e a colmeia contra invasores.
Apenas um concorrente resistiu com sucesso a esse domínio: a abelha-da-hera, um inseto especialista documentado na Grã-Bretanha desde 2001 que depende fortemente do néctar da hera. Ela foi observada perseguindo ativamente e desalojando abelhas-do-mel das flores.
Os confrontos hostis se intensificaram em condições climáticas mais quentes, o que os pesquisadores atribuíram ao ressecamento das fontes de néctar e a plantas estressadas pelo calor. Com a previsão de que as temperaturas do verão britânico subam até quatro graus Celsius até 2080, tais disputas por alimento podem se agravar. Buckle enfatizou que, como muitos apicultores se preocupam com a natureza, essas descobertas devem ajudar a estabelecer diretrizes melhores para proteger espécies silvestres vulneráveis.


