Répteis e anfíbios
Refúgios quentes salvaram crocodilos antigos de asteroide
Nova pesquisa mostra que répteis pré-históricos dependeram de santuários equatoriais onde temperaturas amenas perduraram enquanto dinossauros desapareciam.
Relatado por ScienceDaily · · 2 min de leitura

Quando o impacto de um asteroide devastou a Terra há cerca de 66 milhões de anos, os dinossauros não avianos pereceram, mas os ancestrais pré-históricos dos crocodilos conseguiram resistir. Uma nova investigação publicada na Science Advances indica que sua antiga afinidade com climas mais quentes os posicionou dentro de zonas equatoriais onde condições habitáveis persistiram após a catástrofe.
Investigadores liderados por cientistas da University College London avaliaram mais de sete mil espécimes fósseis juntamente com registros que abrangem mais de quatrocentas espécies contemporâneas e extintas. Ao cruzar esses registros com reconstruções geográficas e climáticas que cobrem 245 milhões de anos, a equipe mapeou como os ancestrais crocodilianos acompanharam cinturões térmicos em mudança, em vez de se aclimatarem a variações climáticas drásticas.
Simulações computacionais revelaram que locais equatoriais e subtropicais permaneceram habitáveis para esses répteis após a colisão, mesmo quando a luz solar caiu cinco ou dez por cento devido à poeira e detritos atmosféricos. O pesquisador principal Alfio Alessandro Chiarenza explicou que o impacto não criou uma devastação uniforme em todo o globo, permitindo que refúgios equatoriais quentes preservassem populações que mais tarde repovoaram outros lugares.
Ancestrais diversos e obstáculos modernos
Embora as espécies modernas pareçam relativamente semelhantes, os ancestrais fósseis exibiam uma variedade ecológica excepcional. A linhagem mais ampla incluía consumidores de plantas encouraçados, caçadores totalmente terrestres e carnívoros gigantescos como o Sarcosuchus, um imenso predador que chegava a doze metros. Apesar de mudanças dramáticas na forma física ao longo de milhões de anos, sua dependência de ambientes quentes permaneceu notavelmente constante durante toda a sua jornada evolutiva.
A equipe identificou pequenas exceções, incluindo um ramo do Cretáceo que suportou extremos térmicos mais elevados há cerca de 94 milhões de anos, e formas australianas que se adaptaram a condições áridas há 34 milhões de anos. Além disso, características fisiológicas como baixas necessidades energéticas, hábitos semiaquáticos, perfis físicos menores e metabolismos de sangue frio também ajudaram em sua sobrevivência geral durante o cataclismo.
No entanto, os pesquisadores alertam que esse método ancestral de sobrevivência pode falhar em paisagens modernas. O coautor do estudo, Philip Mannion, observou que, enquanto os crocodilos pré-históricos simplesmente migravam para acompanhar temperaturas ideais, as populações atuais enfrentam graves barreiras de deslocamento causadas pela expansão de estradas, terras agrícolas e infraestrutura urbana.


