Répteis e anfíbios
Mercúrio reduz resposta ao estresse em jacarés selvagens
A contaminação por metal tóxico do garimpo impede crocodilianos tropicais de gerar picos hormonais necessários para lidar com perigos ambientais agudos.
Relatado por Phys.org · · 2 min de leitura

A contaminação desenfreada ligada ao garimpo informal de ouro está desregulando os sistemas hormonais de répteis sul-americanos. Uma investigação conduzida na Guiana Francesa revela que jacarés-coroa com quantidades elevadas de mercúrio no sistema circulatório têm dificuldades para acionar defesas fisiológicas normais quando confrontados com perigos repentinos.
O projeto foi liderado pelo pesquisador Jérémy Lemaire junto a cientistas da Universidade de Viena e da instituição veterinária local. Após avaliar répteis selvagens em habitats de floresta tropical, os autores determinaram que indivíduos com cargas químicas significativas geraram aumentos atenuados de corticosterona ao longo de testes controlados de estresse, demonstrando um comprometimento do eixo hipotálamo-hipófise-adrenal.
Os volumes atmosféricos globais desse metal pesado aumentaram entre 300 por cento e 500 por cento desde eras anteriores à industrialização, impulsionados pela queima de combustíveis fósseis e pelo processamento mineral. Uma vez dentro dos tecidos animais, o elemento funciona como um disruptor endócrino ao interferir nos receptores de esteroides, que normalmente gerenciam reações hormonais defensivas durante momentos de perigo.
Avaliações moleculares mostraram que variedades de crocodilianos compartilham uma característica genética conservada suscetível a essa toxina. Um resíduo específico de cisteína situado na região de ligação do receptor de glicocorticoide serve como alvo fácil para o metilmercúrio, fornecendo uma base anatômica para explicar por que répteis contaminados exibem flexibilidade endócrina reduzida.
Como esses predadores de topo vivem por décadas, eles acumulam metais pesados progressivamente por meio de presas aquáticas. De acordo com Lemaire, a supressão da liberação de hormônios protetores coloca os animais em risco ao diminuir sua capacidade de resistir a episódios climáticos extremos, ameaças de predadores e perturbações causadas pela expansão de assentamentos humanos.
Os autores enfatizaram que as concentrações químicas medidas nos jacarés da Guiana Francesa se alinham com quantidades detectadas rotineiramente em crocodilianos selvagens em outros continentes. Como resultado, os pesquisadores alertaram que o mesmo comprometimento endócrino pode estar prejudicando silenciosamente populações vulneráveis de répteis em todo o mundo.


