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Vida marinha

Dezenas de novas espécies abissais achadas na Argentina

Cientistas que analisaram a vida marinha de um cânion submarino identificaram 57 animais até então desconhecidos, além de evidências de lixo plástico.

Relatado por Mongabay · · 2 min de leitura

Dezenas de novas espécies abissais achadas na Argentina
Imagem: Mongabay

Biólogos marinhos que examinam coleções do cânion de Mar del Plata, na costa argentina, descobriram 57 espécies de animais anteriormente desconhecidas pela ciência moderna. A riqueza biológica também inclui cinco gêneros totalmente novos, coletados durante uma iniciativa oceanográfica organizada pelo Nippon Foundation-Nekton Ocean Census. Entre as descobertas está um peculiar pepino-do-mar com duas estruturas em forma de chifre, batizado pelos pesquisadores de Loki em homenagem à divindade nórdica, resgatado a mais de 2.500 metros de profundidade.

Os espécimes foram coletados principalmente durante uma viagem em 2025 da embarcação Falkor (too). Utilizando o submersível robótico SuBastian, a expedição transmitiu imagens subaquáticas ao vivo para milhões de espectadores online. Embora uma estrela-do-mar laranja parecida com o personagem fictício Patrick Estrela tenha chamado ampla atenção do público, os pesquisadores determinaram que a criatura já era uma espécie estabelecida e a deixaram intocada no fundo do mar.

Em julho de 2026, vinte especialistas em taxonomia se reuniram em Buenos Aires para examinar os espécimes marinhos preservados. O trabalho identificou 22 equinodermos, como lírios-do-mar, 20 copépodes, 14 octocorais juntamente com penas-do-mar e um molusco que habita uma concha em formato de presa. Especialistas observaram que duas das variedades de corais podem representar novos gêneros, e uma pode pertencer a uma família inteiramente nova, na pendência de mais testes genéticos.

A riqueza biológica do cânion decorre da colisão de correntes oceânicas. Águas frias e ricas em nutrientes que fluem do sul encontram uma corrente mais quente que viaja para o sul, desencadeando uma produtividade biológica abundante em profundidades que ultrapassam os 3.500 metros. Os copépodes documentados destacaram o vasto potencial do habitat, já que os pesquisadores examinaram apenas um décimo de sua coleta e descobriram que cada indivíduo examinado representava uma nova espécie.

Apesar da localização remota a cerca de 250 quilômetros da costa, os pesquisadores observaram sinais de poluição humana durante seus mergulhos de pesquisa. A equipe catalogou quase trinta pedaços de lixo sintético, incluindo um saco plástico emaranhado e embalagens que repousavam a mais de 3.800 metros de profundidade. Grande parte dos detritos parecia ter origem em operações de pesca marítima, com diversos organismos locais já se fixando aos materiais descartados.

Todos os espécimes coletados devem permanecer em repositórios nacionais na Argentina, como o Museu Argentino de Ciências Naturais, na capital. Daniel Lauretta, o cientista que dirigiu o trabalho offshore inicial, destacou que a taxonomia internacional colaborativa continua sendo vital para examinar organismos pouco estudados. Sua equipe pretende explorar outro cânion submarino vizinho no início de 2027, ao lado do Schmidt Ocean Institute.