Pular para o conteúdo
Sobre
Português

Mamíferos selvagens

Austrália cria estratégia contra predação por raposas

Proposta nacional de trinta anos visa proteger a fauna vulnerável de raposas invasoras por meio de refúgios seguros e métodos coordenados de conservação.

Relatado por The Guardian · · 2 min de leitura

Austrália cria estratégia contra predação por raposas
Imagem: The Guardian

A Austrália está considerando sua primeira iniciativa nacional atualizada em quase duas décadas para reduzir o impacto destrutivo causado à fauna nativa pelas raposas-vermelhas europeias invasoras. Os predadores não nativos somam cerca de 1,7 milhão em amplas áreas do país, estendendo-se do centro de Queensland até o sul da Austrália e por toda a Austrália Ocidental. Pesquisadores calculam que os animais consomem mais de 367 milhões de mamíferos nativos, 111 milhões de aves e 88 milhões de répteis anualmente, além de números substanciais de anfíbios e invertebrados.

Como a erradicação completa no continente continua impossível, a nova estrutura de longo prazo recém-elaborada concentra-se em defender as criaturas que enfrentam a maior probabilidade de extinção. Os alvos prioritários incluem animais criticamente ameaçados, como potoroos-de-gilbert, quolls-orientais, várias espécies de bandicoots, bettongs, lebres-uálabis, pademelons-da-tasmânia e sete tipos de tartarugas de água doce. Ecologistas observam que a predação por raposas e gatos, e não a degradação ambiental ou as mudanças climáticas, representa o principal fator das perdas de mamíferos no país.

Protegendo espécies críticas

O plano de trinta anos pede maiores investimentos em refúgios seguros, incluindo reservas cercadas à prova de predadores e ilhas livres de carnívoros invasores. Ele também busca maior alinhamento legal e operacional entre autoridades regionais e o governo federal. Embora intervenções passadas tenham dependido predominantemente de iscas venenosas, cientistas enfatizam que a incorporação de técnicas indiretas de manejo oferece resultados mais sustentáveis e com melhor custo-benefício.

A implementação das intervenções recomendadas exigiria aproximadamente 175 milhões de dólares no período inicial de cinco anos, representando um aumento considerável em relação às atuais alocações anuais de cinco a sete milhões de dólares. Autoridades observam, no entanto, que as raposas causam um prejuízo estimado em 190 milhões de dólares à biodiversidade a cada ano, o que significa que o controle bem-sucedido gera um valor ambiental maior do que seu custo operacional.

Conservacionistas argumentam que compromissos financeiros duradouros são essenciais para evitar que populações nativas desapareçam completamente. Defensores também enfatizam a importância da educação comunitária, alertando que a familiaridade do público com as raposas em ambientes urbanos e regionais não deve ofuscar as urgentes necessidades de sobrevivência da fauna nativa vulnerável.