Aves
Rastreio e veto à pesca dão esperança a papagaios-do-mar
O aquecimento dos oceanos e tempestades severas de inverno ameaçam aves marinhas no Atlântico, mas conservacionistas veem caminhos para a recuperação.
Relatado por The Guardian · · 2 min de leitura

Papagaios-do-mar e outras aves marinhas enfrentam riscos crescentes nos oceanos de todo o mundo, à medida que a crise climática altera seus frágeis habitats marinhos. Quando as águas oceânicas aquecem, recursos alimentares vitais, como os peixes-lança, deslocam-se para regiões mais frias, deixando as colônias reprodutivas com áreas de caça empobrecidas. Consequentemente, as aves adultas precisam percorrer distâncias maiores para buscar alimento, o que reduz as chances de sobrevivência de seus filhotes durante a nidificação e ao longo dos rigorosos meses de inverno.
O clima severo também tem cobrado um preço alto longe dos locais de reprodução. No início de 2026, tempestades sazonais intensas provocaram o encalhe de centenas de papagaios-do-mar, airos e tordas-mergulheiras ao longo da costa da Escócia, da Cornualha e do nordeste da Inglaterra. Por toda a Europa continental, grupos conservacionistas documentaram mais de vinte mil aves marinhas arrastadas para praias nas costas atlânticas francesa, espanhola e portuguesa. Oficiais marítimos observaram que este evento marcou o episódio de mortalidade mais prejudicial registrado em mais de dez anos.
Desafios adicionais, incluindo resíduos plásticos, vazamentos de petróleo e predadores em ilhas, continuam a limitar os números reprodutivos. Algumas projeções alertam que noventa por cento dos papagaios-do-mar podem desaparecer até meados do século. Ainda assim, pesquisadores e naturalistas apontam vitórias importantes que podem evitar novos declínios. Uma decisão judicial significativa proibiu recentemente a pesca comercial de peixes-lança nas águas que cercam a Inglaterra e a Escócia, protegendo uma fonte essencial de presas.
Cientistas da conservação também recorrem a dispositivos eletrônicos modernos para estudar os deslocamentos das aves marinhas longe da terra firme. Desde a década de 1980, sistemas de rastreamento revelam por onde as aves circulam durante o inverno, identificando áreas oceânicas cruciais de alimentação. Em 2004, a BirdLife International criou um banco de dados global de rastreamento que mapeou seis grandes rotas migratórias oceânicas pelo planeta. Especialistas consideram os papagaios-do-mar e outros alcídeos como indicadores ambientais que refletem a saúde geral dos ecossistemas marinhos.
Como as aves marinhas frequentemente vivem por várias décadas, suas populações podem se recuperar com relativa rapidez quando as condições melhoram. Biólogos destacam que a eliminação de predadores invasores das ilhas de nidificação proporciona alívio imediato. Além disso, projetos ativos de restauração desenvolvidos por cientistas demonstraram que a administração humana direcionada pode restabelecer colônias prósperas, oferecendo uma esperança duradoura para a sobrevivência das aves marinhas.


