Aves
Recuperação do kakapo destaca avanços na conservação
Relatório bienal de biodiversidade detalha ações bem-sucedidas que salvaram dezenas de espécies da extinção, incluindo o raro papagaio da Nova Zelândia.
Relatado por The Guardian · · 2 min de leitura

A edição mais recente do Relatório Planeta Vivo destaca vitórias importantes de conservação em todo o mundo, oferecendo evidências de que intervenções direcionadas podem reverter o cenário para a vida selvagem ameaçada de extinção.
Intitulada A Ciência da Esperança, a publicação bienal observa que medidas dedicadas de preservação evitaram a extinção de dezenas de espécies desde 1993, protegendo especificamente 32 variedades de aves e 16 espécies de mamíferos. O documento também aponta para a estabilização ou expansão de populações entre tigres selvagens, elefantes e lontras-marinhas, além de sinais de um progresso mais amplo na redução da dependência de combustíveis fósseis.
A recuperação do papagaio não voador da Nova Zelândia
Um exemplo proeminente dessa persistência é o kākāpō, um papagaio verde pesado e que não voa, nativo da Nova Zelândia. Após predadores invasores dizimarem suas populações e levarem a espécie para perto do colapso total, gestores de vida selvagem transferiram as aves sobreviventes para ilhas costeiras seguras e livres de predadores em meados da década de 1990.
Quando o crescimento inicial da população permaneceu lento, as equipes de conservação adotaram métodos de manejo mais intensivos. As equipes começaram a criar filhotes à mão, utilizar mães adotivas e aplicar técnicas de inseminação artificial. Ferramentas modernas de rastreamento também foram introduzidas, equipando cada indivíduo com transmissores inteligentes para permitir uma observação quase constante.
Tecnologia e reprodução científica
Avanços tecnológicos recentes fortaleceram ainda mais o programa. Pesquisadores mapearam todo o genoma de cada kākāpō sobrevivente, utilizando dados genéticos para orientar os pares de reprodução em cativeiro e maximizar a diversidade genética entre as futuras gerações.
Essas medidas intensivas e orientadas pela ciência trouxeram resultados substanciais. Em 1995, a população global de kākāpōs totalizava um número precário de apenas 51 indivíduos. Hoje, o censo contabiliza 324 aves, representando uma recuperação expressiva para uma espécie com um ciclo reprodutivo notoriamente lento.
Embora conservacionistas alertem que o kākāpō ainda não está totalmente fora de perigo, a reviravolta demonstra como a combinação de objetivos claros, estratégias de manejo viáveis e resiliência contínua pode resgatar espécies ameaçadas da beira da extinção.


