Insetos e polinizadores
Mariposas-falcão evoluíram defesas acústicas várias vezes
Pesquisadores descobriram que mariposas-falcão machos criaram mecanismos sonoros genitais distintos em trinta milhões de anos para despistar morcegos em caça.
Relatado por Phys.org · · 2 min de leitura

Mariposas-falcão machos possuem ferramentas anatômicas notáveis que podem salvar suas vidas durante encontros noturnos com predadores famintos. Ao esfregar escamas especializadas localizadas em seus órgãos reprodutivos contra o abdômen, esses insetos de voo noturno geram ruídos ultrassônicos capazes de interferir nos sinais de ecolocalização que os morcegos utilizam durante a caça.
Morcegos predadores e mariposas noturnas travam um conflito evolutivo prolongado que se estende por milhões de anos. Nessa dinâmica contínua, as adaptações de um grupo provocam contratáticas defensivas do outro. Para explorar as origens e a diversidade dessas defesas acústicas, uma equipe de pesquisa liderada por Paul K. Masonick, da Universidade da Flórida, analisou o comportamento e a anatomia de mariposas-falcão em inúmeras espécies.
Os investigadores testaram como espécimes vivos reagiam a reproduções de áudio de morcegos caçando, bem como a uma contenção física suave destinada a imitar a captura. Sempre que os insetos geravam pulsos ultrassônicos, os pesquisadores gravavam o áudio. Posteriormente, eles examinaram a morfologia reprodutiva de 124 espécies e rastrearam linhagens evolutivas em 310 espécies de mariposas para reconstruir como esses sistemas acústicos surgiram.
Em publicação no periódico Proceedings B, da Royal Society, a equipe relatou que as defesas baseadas em ultrassom contra morcegos surgiram em ocasiões distintas até sete vezes ao longo de aproximadamente trinta milhões de anos. Em vez de depender de uma única adaptação uniforme, diferentes mariposas-falcão estabeleceram três maneiras físicas distintas de produzir som.
Cada mecanismo depende do atrito entre escamas genitais modificadas e superfícies abdominais distintas, que incluem escamas complementares, espinhos microscópicos ou nódulos salientes. Esses três arranjos anatômicos produziram resultados acusticamente diversos, apresentando variações nas frequências dos tons, na duração das emissões e no tempo total que os insetos passavam produzindo ruído.
A capacidade auditiva também moldou essas estratégias de proteção. Mariposas-falcão equipadas com órgãos auditivos tenderam a gerar sons com maior capacidade de interferir no biossonar dos morcegos, indicando uma conexão funcional entre ouvir predadores e emitir sinais de interferência. Enquanto isso, várias espécies desprovidas de órgãos auditivos ainda geravam ultrassom ao serem tocadas, sugerindo que seus sons podem assustar predadores ou imitar outras espécies, em vez de interferir no sonar.


